domingo, 23 de setembro de 2012

UMA QUIMERA...

Eu sentarei aí nem que seja aos 110, sem nenhuma memória e você 
no seu frescor de juventude. 
Sem nenhuma memória, mas com o coração cheio de esperança; sem nenhuma memória, mas com os olhos vidrados no verde contrastando com o cinza de um doce setembro, outubro, novembro ou quem sabe da vida que nos resta...


Sentados nem que seja pra só você lembrar de toda a minha história e me contar como se fosse a histórinha de alguém.
Não sei se terei toda a traquinagem de hoje e se poderei andar no parquinho, mas você ao menos me levaria nessa bicicleta, para reconhecer todos os verdes que deixamos de ver em nossa existência toda.

Simoninha Xavier 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CHAME, CHAME, ENXAME GENTE!


O tempo era o início da década desse século, mais precisamente no ano de dois mil e quatro. Entre girafa, leão, coelho e até camelo eu me esbaldava no jeito folião mais moderno de ser, vestida com meus abadás, atrás de trios elétricos, com seus afetados cantores, que nem precisavam usar capa para serem super-heróis, pois passavam mais de quatro horas cantando para essa multidão zoológica, que ocupa Vitória de Santo Antão.
          Eu vivia o prazer de ser Girafa, apesar do meu tamanho, e de pertencer numa maratona árdua, ao Coelho, ao Leão e ao mais nostálgico, encantador, colorido e autêntico bloco que eu já participei na vida, o da Saudade, que exigia uma fantasia especial, a sua.
Era um ano muito feliz, mais ainda do que os outros três que já havia passado ali naquela cidade onde a bicharada se encontra em pleno carnaval. Tinha encontrado com meu finado irmão e sua esposa, na transição de um bloco pra outro e ele me falou que eu parecia uma santa, kkk... Eu tava de índia e ele me achou com cara de santa, hi hi hi. Acho que já tinha tomado alguns goles de batida de maracujá que o bloco estava oferecendo.
Quem me conhece sabe como fico quando danço, me perco de mim, o que eu sou se afoga, de maneira atroz, passa a ser a minha droga essa paixão por carnaval. Começo e não sei parar, não bebo, nem fumo, meu único crime passa a ser o vício de não poder para de dançar.
Por outro lado amo observar às pessoas, seus comportamentos, as coisas, as confusões de namorados, os descompassados embriagados, os homens bonitos, as paqueras, os amassos, o percurso que particularmente nessa cidade, além de abrigar uma fauna de blocos, tem uma flora linda. É encantador, pois é cheio de praças com árvores e canteiros verdes.
Os blocos passavam pela avenida principal da cidade, Mariana Amália, a rua da matriz, percorria toda a cidade e a volta para a etapa final do percurso subia a ladeira da Duque de Caxias, que tinha um lindo flamboyant, que encandeava de tão vermelho que ficava quando florescia, estávamos eu e meus eufóricos companheiros de folia, quando param o batuque, o repique, a guitarra e a percussão... E ouve-se um estendido psiiiiiiiiiiiu! E ao som do sax bem baixinho, o vocalista avisa: - Pessoal, peço a compreensão de vocês para que fiquemos em silêncio, pois existe nesse momento um gigante enxame de abelhas na árvore da Duque... Eu tava na no pé da ladeira, depois de mim uma multidão, em seguida o trio lá em cima. Eu via o mais que super-herói vocalista cantar: - Por isso chame, chame, chame, chame gente cantando quase que num sussurro até chegar ao ponto de só os surdos como eu entenderem, pois sei ler lábios...
E o chame, chame, chame de gente foi se calando por conta do flamboyant vermelho que ingenuamente se deixou denegrir pelo enxame africano.
Aturdido pelo possível ataque desse bloco que não estava na programação animalesca da cidade, o povo silente saía do cordão de isolamento para dar espaço à alegoria mais linda que vi na festa momesca até então: O Carro do Corpo de bombeiros, nossa!  E que Corpos, hi hi hi.
          Eles ali na minha frente desfilando garbosamente, com seus fardões e capacetes, passando lentamente para não espantar a colmeia negra e eu perplexa pela beleza desse instante: O chame, chame, chame gente quieto, ouvia-se apenas o barulho do motor do carro alegórico que enchia minha vista, do motor do trio elétrico, e o zumbido daquele denso exército inimigo negro que permissivamente se  aninhavam no rubro flamboyant.
Às vezes eu ouvia o barulho de algum pássaro que teimava em perturbar esse momento onde uma massa de pierrôs, colombinas, palhaços, piratas e bichos variados se mantinham concentrados para não atrapalhar a operação de captura desse mais novo bloco, até então intruso na cidade. As carinhas de felicidade se transformaram em máscaras de terror, menos a da índia aqui, que enfeitiçada começou a observar que com o passar do corpo de bombeiros, os foliões iam voltando pra dentro do cordão de isolamento num silêncio que mais parecia um vácuo naquele carnaval mágico. As pessoas andavam e não faziam um ruído que fosse. A sensação que se tinha é de que nem ar tinha...
Já no domínio da coalizão, vi os bombeiros invadirem aquele gueto resistente à luta e a ladeira ali, repleta de foliões perplexos, observando o ato de heroísmo deles. O povo parecia um prisma colocado ao sol, as cores se mexendo num movimento furtacor.
 Não se sabia ao certo qual enxame estava sendo capturado, o negro ou o colorido por tamanha acuação destes. Isso durou alguns minutos, o espetáculo que se formou a minha frente eu jamais esquecerei. O flamboyant foi ressurgindo com suas flores tão vermelhas quanto antes, enquanto os bombeiros iam encaixotando aquela multidão de abelhas africanas, até não sobrar uma sequer...
Somente quando o carro alegórico concluiu sua apoteótica apresentação e saiu da passarela, ouvi novamente o som do sax bem baixinho, agora o nervoso herói vocalista, dizia: - Pessoal! Rezemos: Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador... Isso mesmo ele rezou a oração do anjo da guarda e em seguida embalou a minha canção preferida de carnaval de todos os tempos:
Quanto riso! Oh quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão... Em lágrimas de emoção vi o chame, chame, chame gente em pleno movimento e a ladeira se transformar de fato num prisma em turbilhão. E o que é sinônimo de agitação, folia, anarquia, se transformou pra mim num dos momentos mais encantadores que já vi num carnaval. E, diga-se de passagem: Eu havia parado de brincar um tempo antes por conta de uma violência que presenciei dentro de um bloco na capital.
Ali pude ver novamente poesia e cor. Era terça-feira, meu ultimo dia na cidade e o meu ultimo carnaval. Uma memória encantadora. Vi um flamboyant ingênuo, que mesmo tendo a fantasia mais linda para aquela ocasião, resolveu se vestir de negro e se frustrar por não poder lançar mais um bloco de bichos na cidade: O Abelha. 
Simoninha Xavier

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

TUDO POR UM BANHO QUENTE NUMA NOITE FRIA DE AGOSTO

Sempre tive cisma com eles. Já encontrei de várias espécies, brancos, caramelos(antigões), pendurados em gambiarras coloridas de fios, enfeitados com aquelas horrorosas fitas pretas isolantes, aterrorizadoras, dando sinais de choques certeiros.
Tem uns que quando você liga quase não cai água e quando cai é lhe queimando a pele, outros têm até jato forte, mas não esquentam, hi hi hi... Mas o pior é ficar o tempo todo regulando a ducha para não sofrer choque térmico, por estar quente demais ou frio demais. Ainda mais nessa cidade e nesse mês de tanto vento, dentro desse apartamento. Aí vem a surpresa quando você consegue vencer seu estado e encontrar o estado ideal da água... De repente: tuummmmm e pronto desce uma água gelada de doer os ossos... E o pior que você tem que concluir seu banho, que até então você conseguiu, mesmo que por alguns segundos, relaxar...
Estou me enchendo de um ódio quase mortal por objetos dessa espécie, sejam eles blindados (que não presta do mesmo jeito), sejam eles pressurizados, etc., os quais convivi nesses últimos seis meses.
Ah, eu não tenho uma tina, nem um Nacib para dividir um banho relaxante. Ora fico espreitando a hora para tomar um banho gelado mesmo, ora eu, o balde e a cuia temos que criar certas intimidades, kkk.
É incrível como um objeto inanimado, abjeto pode desamparar você, domina seu dia, te enche de dúvidas: O erro é de instalação? É da fiação do ap? É das indústrias? 
Você chama o cara que instalou e ele não pode vir de imediato, só daqui há quatro dias...PUTZ! Lá vai... Eu, o balde e a cuia, criar laços novamente...Por quanto tempo hein? hi, hi, hi.

Simoninha Xavier

sábado, 21 de julho de 2012

O CORINGA: O MAL X O BEM


Tenho verdadeira fascinação por filmes de super-heróis. Fico ansiosa pela estreia sempre que sei de algum lançamento. É sabido que esse universo do bem e do mal sempre circula nossa mente. Através dessas ficções criamos os heróis reais ou tomamos conhecimento deles. Nossa! Meu pai foi o primeiro, uma admiração incrível pela força, honestidade, bom senso nas horas de emergência e senso de justiça em casos distintos, junto a sua não menos heroína, a minha mãe, que forma quase uma liga da justiça com ele. Daí vem os parentes que se aproximam de você para mostrar um mundo de sons, cores, letras, como foi o caso do meu Tio Nado, herói criado por mim durante minha infância e adolescência, que me apresentou a arte nas suas melhores formas, conteúdos e sons. Isso tudo construiu a espectadora eclética e de bom gosto a qual me tornei hoje, modéstia a parte. Depois vêm os heróis no âmbito profissional, pessoas que nomeamos assim pela garra, pelo comportamento ético e moral, pela atitude proativa, inventiva e transformadora, como encontrei muitos no caminho. Com esses exemplos reais passei a acreditar no bem como vencedor, na justiça, nas leis, na ética, na gentileza que gera gentileza e principalmente nos homens simples, heróis reais.
Há uns quinze dias atrás fui assistir ao Espetacular Homem Aranha e vi o super-herói por várias vezes tirar sua máscara e ficar dividido entre seguir o bem ou os seus instintos muitas vezes tomados por outros sentimentos, porém na ficção a responsabilidade, o compromisso e a verdade venceram. Além de prestar atenção em figurino, roteiro, efeitos especiais, trilha sonora, etc., você sai um pouco com a esperança de quem sabe o mundo pode ser mesmo como um filme, o mal ser abatido por pessoas de bem. Na ocasião já assisti também ao trailer do filme Batman, o cavaleiro das trevas e já fiquei na quimera de chegar o dia 27 aqui no Brasil para que eu estivesse na poltrona G4, minha preferida para ver filmes em paz sem ninguém me incomodar com pés batendo, chutando atrás de mim. Eis que vem o choque de realidade com sua estreia americana: UM MASSACRE. O mal tomando conta do que é mais belo: a vida de pessoas “inocentes”. O que faz um homem se vestir de vilão e cometer tal atrocidade? Isso me deixa insone, me deixa medrosa, porque pode acontecer a qualquer um de nós e em qualquer lugar. Quem em sua sã consciência vai pensar que indo ao cinema irá ser brutalmente assassinado. Começam os questionamentos: Por quê? Qual a causa? Quem era esse ser? Enfim! O que pensam os psiquiatras, psicólogos, a segurança pública, os governantes, as instituições religiosas e as pessoas comuns? Como é escrevendo que faço meus desabafos, eis o motivo de voltar ao meu blog depois de dois meses de ausência. Meu desabafo aqui é para dizer que mesmo que a violência da ficção se confunda com a violência real, as pessoas atentem que apesar de tudo a culpa das mortes desses inocentes não é do filme de Christopher Nolan, isso seria assassinar também a arte.
Será que o filme incita a tal violência? Ora, se foi tudo premeditado! O rapaz que cometeu o crime em questão já tinha um arsenal em sua residência, era um doutorando em Neurociências, foi ao cinema com tudo pronto.  Atrelar a razão ao filme, repito, é atentar contra a sétima arte. Tenho o cinema como a minha arte predileta, ir assistir a um filme representa uma magia que resulta em conhecimento, vivências, transformações e interferências legítimas em meu viver, porém as positivas. Passar quase cinco anos sem ter uma sala de cinema na minha cidade foi insuportável. Fico imaginando como está se sentindo também o diretor do filme, que por tabela também é possível culpado, hein? Mas como amadora da telona que sou e aficionada por suas estórias, acredito piamente que sua intenção é mostrar que o bem DEVE vencer o mal sempre. Mesmo em situações limites, irracionais e inexplicáveis, bizarras.
E para o dia 27 continua minha espera, quero ver o Batman: O Cavaleiro das trevas ressurgindo e reafirmando isso. Se a realidade vez por outra não é tão bonita quanto deveria ser, pelo menos no cinema ainda posso ver isso. Rezemos pelas vítimas, rezemos por quem ficou com suas perdas e principalmente rezemos para que mais vilões como esse não saiam de casa destruindo as felicidades alheias e rezemos também pelos familiares desse vilão, que não pretendiam educar seu filho para que ele se tornasse o CORINGA.
A magia do cinema nunca confundiu o que aprendi dos meus super-heróis reais e nunca vai confundir. O que ela consegue é encher o meu imaginário e a partir disso o que eu puder aliar ao real, será válido. Não é o enredo de um filme que vai discernir como lidar com minhas frustrações e sim o meu caráter e os valores que herdei da educação dos meus heróis legítimos: os meus pais; os exemplos do meu querido tio e dos amigos e profissionais que encontrei pelo caminho.
Para concluir esse texto vou reutilizar um texto que fiz há anos atrás que concretiza meu pensamento:
Não fiquei indiferente as encruzilhadas que cruzei,
pois sou parte dos livros que li,
dos filmes que vi,
das músicas que ouvi,
das poesias que senti,
dos beijos que dei e dos que não dei,
sobretudo dos que não dei.

Enfim! Minhas atitudes são responsabilidades minhas, sejam elas do bem ou do mal.

Simoninha Xavier

terça-feira, 15 de maio de 2012

AS LILIS DE ONTEM E HOJE.


As fêmeas sempre tiveram sua sexualidade proibida.
Quando somos ativas na arte do fazer sexo, somos tratadas como objeto, produto em promoção na vitrine.
É dada, é galinha, puta, nada vale...
Somos cercadas pelo simples fato de sairmos sozinhas... E isso não ocorre apenas em lugares reservados não, é na rua, no barzinho, nos ônibus, no metrô, etc...
Se estiver sozinha, com decotes, shorts, fendas, logo acham que estamos pedindo uma cantada, um beliscão, uma apalpada nos seios ou uma encoxada.
Se acharem que dou para alguém, tenho que dar pra todo mundo, que não tenho o arbítrio da escolha. Se não for santa, se for fogosa, tenho que ser mercadoria pública.
Sempre ouvi dizer que o estuprador é atraído por fartos seios, grossas coxas, grandes panturrilhas, empinadas nádegas, coisas que não pedimos para ter...
Ora pessoal! Levar isso em consideração é considerar ainda que somos mulher-objeto.
O homem de verdade come sim a “sua” mulher, objeto de desejo sim, mas resultado do amor mútuo, seja ela gorda, baixa, alta, bonita ou feia, como celulite ou estrias, mas com afeto e paixão, sendo conivente com o que sua parceira permitir...
Minha querida amiga, todos os dias várias Lilis, serão vitimadas se não fizerem o que fez você, pedindo a cabeça do seu algoz.
Essa luta em nosso país vem de séculos. Quantas nas senzalas tiveram que calar ou morreram sem o direito de lutar ou por não aguentar?
Gostaria que as Lilis de ontem tivessem tido sua coragem e sua força.  Que as Lilis de amanhã se mirassem no seu exemplo de não desistir.
Essa história há um ano me atormenta, como se fosse eu a vítima, me atormenta como se eu fosse culpada por não poder ajudar como desejava a não ser com palavras de apoio; atormenta-me por me sentir impotente e possível vítima nas garras de um lobo como esse que sempre se apresenta em bela pele de cordeiro.
Que a partir dessa vitória, muitas Lilis agora tenham coragem, determinação e mostrem a verdade acima de tudo, mesmo passando por humilhações, mesmo passando por julgamentos, mesmo tendo o medo da dúvida.

Dedicado a você... Lilian Melo

Simoninha Xavier

segunda-feira, 14 de maio de 2012

MAMIS


Somos idênticas, todos dizem, alguns nos confundem, outros acham que sou ela... na aparência, na voz, no temperamento, enfim, somos cópia uma da outra.
As vezes me pego fazendo coisas que realmente são dela. Coisinhas criativas, coisinhas gostosas, coisinhas de arte, coisinhas pelos outros(melhor qualidade dela)...
Ai! essa semana passei o susto da perda mais uma vez...Ela veio pertinho e se foi, graças a Deus. Isso deve ser porque eu estava descuidada, ressentida, malcriada ou algo desse tipo e tava sem perceber o quão fundamental é a sua existência no meu viver, no meu caminhar, no meu aprendizado e na minha fonte de criação.
Tanta simplicidade e tanta sofisticação, tanta beleza no rústico, tanta  certeza na fé e tanta coragem de viver e tanto exemplo, Ave Maria...
Brava sim, mas justa sempre; impaciente agora, mas sempre foi ternura, guerreira na vida, na saúde e no trabalho, um exemplo de mulher.
Não adianta sou mesmo quase tudo dela, mesmo não aceitando, porque até nos defeitos temos algo parecido, isso tenho que admitir...
Sempre fez os vestidos mais lindos que uma mãe pode fazer pra uma filha, mesmo eu sendo a filha de nº 4...Tenho lembranças lindas desse cuidado.
Sua amizade, prontidão e afago sempre me alimentam e me renovam mãe.
Ela é tão mãe que não se contentou em ter só seus filhos, ainda criou um que só se tornou seu aos quase 40 anos.
Tudo que sou, tudo que sei, tudo que acredito e desejo, veio dessa fonte e fortaleza que se chama Lindinalva, que ora chamo, véa, ora chamo mamis, mas que amo mesmo, é quando ligo pra ela e pergunto quem fala? Ela diz - É a mãe!!!!!...

Simoninha Xavier

domingo, 6 de maio de 2012

O SER...TÃO... AFOGADOS DA INGAZEIRA

Não vi nenhuma ingazeira!
Vi goiabeira, bananeira, aroeira e macambiras florindo em plena seca. 
Uma vegetação um pouco cinza(que em tempos atrás era minha cor preferida), vi os verdes teimosos se tornarem musgo, claro ou petróleo, verdes de todos os tons, verdes teimosos sim, teimosia herdada do povo sertanejo, que mesmo com o calor, admira o céu azul, como Seu Adelmo, pai da minha amiga, um azul que nunca mais tinha visto no céu, sem nenhuma nuvem, sem nenhuma cinza, e ele me diz: - Hoje vai o dia está para praia Si. kkkkkkkkk
frase que resulta do globalismo selvagem. Um sertanejo sessentão dizendo que o dia vai dar em praia... Ora o máximo que poderia dar era em banho de cuia no fundo daquele quintal tão cinza quanto os 256 quilômetros percorridos até aquela casinha tão simples e tão acolhedora.
Sempre soou suavemente aos meus ouvidos que o povo sertanejo era um povo sofredor, mas era forte e acolhedor.
Pude sentir isso, mesmo com a vegetação sofrida, gados magros em pele e osso pela estrada, vi meninas vestidas iguais a da capital para ir apenas comer uma pizza na praça mais chique da cidade. Vi vestidos de casamento, num noivado, vi tudo igual no comportamento da nova geração, porém na atitude da geração anterior a mim, vi brilho no olho, alegria em receber, alegria em encher uma mesa com o melhor arroz mexido da cidade, sem contar na quantidade de garrada de skins na suas variedades, laranja, cola e guaraná...
Ah e de sobremesa o que sempre chamei por dudu era servido como tubiba de morango, biscoito, banana com uva e coco.... Eu claro atirei-me no de coco, esquecendo a dieta e a consequência do meu ato.
E o melhor dessa minha astúcia, foi poder chupar a tal tubiba de coco, sentada numa pedra, no quintal citado acima, vendo o movimento de um camaleão, que me fez terminar a tarde do domingo vendo realmente quais cores o sertão tem....

As cores que tem Afogados da Ingazeira.

Simoninha Xavier

sexta-feira, 30 de março de 2012

LINHA 130 - UFPE - CENTRO


E-mail que enviei ao proprietário da Empresa de transportes coletivos VISCONDE:


Olá meu Caro Ricardo Henrique!!!!

Você anda de ônibus?
Você anda no ônibus que oferece a população de Caruaru, o qual conseguiu concessão do serviço?
Não anda, deve ter um carrão moderno, com ar, vidros elétricos, som de primeira, etc...(não que eu seja contra você ter isso).
Mas gostaria aqui de lhe fazer um convite: Venha um dia andar no ônibus que você oferece.
Será que vai ter o tempo de 1 hora e 15m ou 1 hora e meia para esperar não é? Afinal é um homem de negócios e não tem tempo a perder...
Ora meu caro, é revoltante tanto descaso. Em 2010 fizemos um abaixo assinado com mais de mil assinaturas e quando levamos aí você nos falou que não precisávamos disso, que o diálogo servia. Nos garantiu melhorias e nada!
Estamos em 2012, a UFPE conta hoje com uma comunidade de 4.000 pessoas circulando diariamente e é inadmissível ter apenas dois veículos para atender toda essa população.

Sei que sua empresa precisa ter lucro, mas precisa oferecer um serviço de qualidade.
Está na constituição que tenho o direito e ir e vir. E vocês estão tolhendo esse nosso direito básico.
Isso causa transtornos nos serviços, nas aulas, nos projetos, nas organizações e até transtornos pessoais, também não é pra menos, ficar esperando um transporte que tem intervalo de uma hora, uma hora e meia.... causa stress e nervosismo.

Já pensou no tempo que você faz as pessoas perderem?

Ando toda semana no ônibus da Caruaruense que tem 135kms de estrada e pontualmente de hora em hora ele está lá pra nos atender, independente de imprevistos, independente de construção de estradas ou seja qeu motivo for. Há 7 anos uso e não tenho o que dizer...

A linha São Caetano - Caruaru, circula por dentro da cidade, encarando o transito do centro, mas cumpre seu horário de 30 e 30 minutos, sem atrasos, também uso muito essa linha. E detalhe a passagem é R$ 1,00 (Cadê o lucro?).

Moro no bairro Kennedy e uso as linhas da coletivo, que disponibilizam de 5 em 5 minutos a linha prometida para a população.

Ora Ricardo! E a Visconde? Porque não consegue oferecer o que prometeu em sua concessão?

Porque esse descaso com a população que precisa ir e vir para o trabalho, escola, passeio ou seja lá o que for...
O percurso pode até ser longo, mas temos outras linhas na cidade em que o percurso também é longo, mas cumprem com seus compromissos.

E o serviço? Profissionais despreparados, sem saber de nada, sem saber dar uma informação, fiscais que não controlam os humores dos motoristas, que sempre são grosseiros, enfim meu caro, a situação é caótica.

A população tem tirado fotos da situação em que o ônibus sai do centro ou da UFPE, lotados, ontem fiquei parada contando quantas pessoas subiram no ônibus na UFPE, por volta das 17h30 depois que esperei uma hora e meia ele chegar... Entraram 108 pessoas que se adequaram as cadeiras, aos corredores, janelas ou portas penduradas, um absurdo, um desrespeito. Nunca vi descaso igual.

Essa situação tem que melhorar, tem que ter mais veículos, mais profissionais e intervalos de 15 e 15 minutos, e não venha dizer que é impossível que é sim...

Segue aí uma das fotos que andam tirando desse caos, tem vídeos, depoimentos e tudo mais...

A comunidade anda revoltada, iremos formar uma comissão e iremos ao Ministério público denunciar esse caos. Melhore o quanto antes isso.

A universidade já está aqui no Juriti há quase 4 anos e nada justifica esse serviço decadente de sua empresa.



Ass. Simone Xavier, uma usuária que há exatos 5 anos e 3 meses, depende do uso dos péssimos serviços da linha
130 - UFPE/CENTRO .

segunda-feira, 26 de março de 2012

ME LEVE


Teu cheiro ainda aqui... Me sinto leve!
Leves lençóis que me levaram você.
Me leva devaneio, mas me livre de você
ou se livre for me leve pra você.
E nessa leveza insustentável de ser
Quero mesmo é ser livre...
Livre para te ver leve aqui de novo...

Simoninha Xavier

ENCONTRO E GENTILEZA


A brisa noturna acariciou as árvores, gentilmente.
As árvores trêmulas abraçaram a brisa, gentilmente.
Então, você e eu Caminhando, errantes
Perdidos em um suspiro...
A praia foi beijada pelo mar e névoa, gentilmente.
Não consigo esquecer como dois corações se encontraram, ofegantes seus braços, bem abertos me envolveram.
Você beijou meus lábios e ganhou meu amor, Tão gentilmente

Pra você...Depois de uma noite de domingo incrível... (BILLY HOLLIDAY)

Segunda mais leve e feliz...

sábado, 17 de março de 2012

CALAR A VOZ...

Por esses cinco últimos dias estive doente. Foi diagnosticada uma laringite e cheguei a perder a voz por dois dias.
Fui numa emergência e a médica me passou três dias de repouso e três dias sem falar para descansar as cordas vocais.
Foram dias de reflexão...
Ora! se a minha voz não fala o meu coração sempre irá sorrir..
Ora, se a minha voz não fala, meu sorriso diz tudo quando vejo algo bonito de se ver.
Ora, se a minha voz não fala, meu sorriso também dirá sobre meus pensamentos.
Ora, se a minha voz não fala, meus olhos irão mostrar meus ciúmes.
E como irão... irão mudar de cor por ciúme ou até dilatar as pupilas por admiração...
Como calar, se tudo em mim tem voz, tudo em mim tem a expressão reconhecida por Bené, meu grande amigo ou pelos mais próximos...
Não seria uma mudez que me deixaria sem voz, podem acreditar...
Saberia gritar sem voz, saberia até calar sem voz...basta olhar pra mim.


Simoninha Xavier.

segunda-feira, 12 de março de 2012

RECIFE X OLINDA: 475 ANOS


Uma já tem o nome de linda, mas a outra se veste de corais,
Uma com seu farol ilumina a outra com suas marolas,
Uma tem que subir pra ver a outra lá em baixo,
lá embaixo uma se encanta com o verde nas alturas da outra.
Entre as duas cresci e tive os melhores anos da minha vida.
Entre as duas escrevi minha história como bibliotecária que hoje também comemora seu dia.
Muitas vezes subi a Sé somente pra comer uma tapioca, muitas vezes fui ao calçadão em Boa viagem para deixar o mar levar minhas mágoas.
Muitas vezes fui ver o entardecer esperando a melhor hora do dia pra mim, o crepúsculo, admirando lá de cima de Olinda o meu Recife, menina dos olhos do mar, como diz Lenine.
Hoje estou longe delas, hoje existe uma estrada de saudades, de lembranças e de carinho.
Recife e Olinda, estar longe é de perto a maior dor de uma bairrista de Tejipió.
Estar longe é senão saudade e lamento das ruas, das árvores, dos saguis do meu quintal, de quando era noite de lua cheia, que eu imaginava estar a beira mar, por causa do barulho que as palhas do coqueiro faziam contrastando o prateado do luar na minha janela.
Recife, a saudade é tão grande que até me embaraço...
E em Olinda o carnaval é o melhor do mundo, é sensacional...
Ai saudade, saudade tão grande...

Simoninha Xavier.

terça-feira, 6 de março de 2012

AS LUZES SE APAGARAM


O conflito e o desconforto são grandes. Parece que tudo é inadequado a sonhos puros e simples.. Ah! Os sonhos! Ganhamos muitos sonhos. Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.
Quem não sonha com um mundo sem violências? Sem injustiças? Sem tanta maldade?
O medo nos persegue, o descaso nos revolta, a banalidade só aumenta. E isso cada dia chegando mais pertinho de nós. Antes eram apenas noticiários tristes, mas sentimentos apenas de pesar, agora, agora sempre isso tá colado em nós, são conhecidos do bairro, conhecidos da escola, amigos, parentes... E como não ser apenas mais um? E como acabar com tanta dor, revolta e como mudar tanto descaso?
Até quando ficaremos na platéia?
Ele, Erton Cabral, era um ator, mas não era esse o espetáculo ridículo e trágico que queríamos ver.
Queríamos vê-lo nos procenios do João Lyra, do Limeira Rosal, no procenio das bancas de mestrado, que ele tanto almejava.
Queríamos lhe ver sob as luzes da ribalta...Seja encenando o amor ou um grito de revolta como esse que dou aqui.

Que te guarde nas palmas de suas mãos, é o que posso pedir a Deus...

Para Erton Cabral.

Simoninha Xavier.