segunda-feira, 23 de janeiro de 2017


Cozinhar é amor, é doação, é divino.
É dizer eu te amo concretizado em recheios, grãos, temperos e magia o que não se fala com a boca. Mas é a boca que prova o que não foi dito ou o que ainda há por se viver.
Seja num beijo ou seja num sabor, o amor vem sendo testado, provado e aprovado.
Pode ter gosto de maçã, de gergelins bicolores ou da castanha que enche um arroz e explode no meu paladar...
Mas a medida exata da minha preferência ainda tem sabor de beijo.
O seu beijo!

Bom apetite!
Boa segunda!
Bom dia desse aí! 


Simoninha Xavier

domingo, 22 de janeiro de 2017

O caldinho.                          

Ela que nao sabia pedir nada.          
Ele disponível, anjo caído sem asas na sua existência.
Ela desejo e confusão.      
Ele calado, quieto, mas enchendo o espaço dela do que era dele.                  
Ela desejo, mistério, desejo, querer e mais desejo.                              
Ele se chegando, tomando posse e conquistando tudo.                    
Ela antes era certeza e paz, hoje é espera e confusão.                          
Ele quer dominar, ela se deixando levar.
Ela quis começar e ele nem sabe se quer continuar.                            
Ele Chico, bento, lento, lerdo, manso, quieto de dia, mas a noite, magia e furor...        
Ela Magali, fome, avidez, tensão, pressa, desejo, loucura e ardor, seja noite seja dia...         Ele braços cruzados na mesa de um bar, ela só quer pegar....
Ele trava para se abrir, ela modos pra não invadir.
Ela se encanta, se engana e se abandona.
Há um mês tem história acontecendo.    
Há um mês isso tá esquentando.
Há um mês ela só pede pra ele ir ficando...
Justo ela que nem pedir sabia!            
Justo ela! tá se apaixonando?
Há um mês...
Como caldinho Ele&Ela, juntos de uma vez, de um gole só.
Resultado: Química perfeita.

Simoninha xavier

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fidel

O cara foi exemplo de que somos o bem e mal.
De que o humano é dúbio.
De que podemos seguir e criar um caminho lindo para a humanidade e ao mesmo tempo causar danos irreparáveis a ela por mero preconceito.
Um ser que mira na educação e na saúde como fundamental, mas discrimina religiões e orientações sexuais, é o que mais se tem de humano no homem.
A ilha e ele causaram uma contradição em mim, causaram revolução na minha maneira de ver o mundo.
Até hoje tenho dúvidas sobre o que pensar de tão controverso ser, mas ele fez história, marcou sua passagem no mundo, fez a diferença.
Alguns dizem que a morte é boa, eu acho muito melhor viver.
Que ele tenha o lugar que mereça, a conta agora será entre ele e Deus.


Simoninha Xavier

terça-feira, 15 de novembro de 2016

ESTROGONOFE DE FILÉ

Filé, cebola, tomates, cogumelos shitake, uma dose de uísque para flambar as mazelas, mexidos no mais puro ritmo da Daniela Mercury sendo clássica. Todo tempo do mundo para assar as batatas, que de inglesas as embruteci tornando-as rústicas. Sensação melhor não há: prazer no caldeirão, pitadas de sonhos entre os temperos e os pensamentos bem distantes vagando pelo mundo e a deliciosa alquimia de misturar tudo isso nesse dia sem república, nessa terça cinza.
Dia de zelo por mim.
Sendo bruxa no feriado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

MAIS AMOR POR FAVOR!

O mundo já anda odiento e preconceituoso demais da conta. Ando observando uma onda de orgulho das pessoas pela ignorância que carregam. Se não pertenço ao time de outro, sou odiada; se defendo uma linha política diferente de outro, sou odiada; e acham normal atacarem direta ou indiretamente nas redes sociais destilando esse ódio.
Vi nesse carnaval fora de época que aconteceu domingo, uns nas ruas, outros em suas varandas tomando seus escoceses 12 anos, reclamando da vida que levam, pedindo o retorno da ditadura ou reclamando que a presidente não foi morta pelo DOI CODI... Vi isso horrorizada...
Mais horrorizada ainda, ouvi na minha sala um pastor, pasmem! Um pastor dizer que Dilma tem origem alemã, foi presa, voltou pra Alemanha e voltou pra se vingar do país, chegando à presidente... Meu Deus! Aonde vai parar tanta ignorância?.
Não vivi os tempos de ditadura, nem quero viver. Já li vários livros sobre o assunto. O “Brasil nunca mais” nem consegui ler até o final... Um horror... Não consigo nem imaginar.
Deve ser mesmo o fim dos tempos. A barbárie, a ignorância, intolerância, pessoas se tornando inimigas de outras apenas por terem divergência de opiniões?
Tenho visto isso, pessoas desprezando, xingando em público o que já faz na rede social.
Claro que o ser dissimula, muda o tom, para que soe brincadeira, mas afirmo e reafirmo: não odeio ninguém... Luto para vencer meus medos, minhas limitações e, sobretudo me desfazer dos preconceitos que ainda carrego, não sou perfeita, mas passível de mudança e respeito.
Antes que façam uma rastag “quem é Simoninha Xavier” como fazem com os que expõem sua opinião, sou bibliotecária, funcionária pública, trabalhei e estudei e me esforcei muito para chegar à vida que tenho hoje.
Desde os nove anos travei uma luta pessoal para mudar a realidade que me era provável e aqui cheguei. E só isso eu sou.
Tenho visto tanto horror, que às vezes a desesperança no ser humano teima em querer me invadir, porém isso não me vencerá. Quero crer nas pessoas, num amanhã melhor e na minha liberdade de expressão. Nunca usei de desrespeito por ninguém, tudo que falo ou deixo de falar, dizem respeito a minha pessoa, ao que acredito, ao que gosto e ao meu gosto.
Mais amor, por favor, menos intolerância...

Simoninha Xavier

sábado, 30 de maio de 2015

UMA DÉCADA





Uma década comporta dez anos.
Mas pode comportar a mudança da história.
Pode mudar a história de uma vida.
A minha vida.
Há dez anos cheguei a Caruaru, com uma mala pra passar uma semana, pois iria ficar por três meses morando num hotel.
Tinha acertado uma prestação de serviço, depois de feita, iria pegar meu rumo de volta a Recife.
Fiquei. Fui ficando... Três meses após minha chegada meu contratante, me sugeriu emprego fixo, carteira assinada, moradia, alimentação e minha vida mudou.
Fui logo recebendo título de cidadã caruaruense pela presidente de coração Wanessa Yonar e seus parlamentares PeLucas Fernando Silva ePeAugusto Fagnê.
Hoje, a feira é minha, o San Juão é meu e o paito meu marco zero, o Alto do Moura, meu almoço dominical e a UFPE/CAA, o melhor trabalho que poderia achar, com seus pores-do-sol maravilhosos.
Acordei muito feliz! Relembrando tudo, passando na memória cenas como num filme, minhas escolhas, minhas etapas vencidas, os sofrimentos e dificuldades, tudo valeu muito a pena.
Tô aqui escrevendo, assistindo Petrúcio Amorim, ouvindo suas canções e cantando alto (hoje eu que vou incomodar os meus vizinhos com músicas tão boas).
Adoro rituais, festas, comemorações, datas e hoje coincidiu de receber a visita do meu amigo Benedito Araújo, entáo vamos comemorar no melhor estilo. Festando no Paito.
Sair de casa, vir para outra cidade e viver sozinha, é pra quem tem coragem.
Tenho muitos medos, mas morar em Caruaru foi e é minha maior coragem.
Escolhi ficar e adotá-la como minha, por que encontrei aqui a paz que precisava e o tempo tão precioso que se tornou meu maior privilégio.
O amanhã é duvidoso, mas a qualidade de vida que encontrei aqui, o sucesso que se transformou minhas escolhas, só me fazem dizer que de fato e de direito, sou cidadã caruaruense.
Em tempo: Wanessa Yonar, Lucas e Fagnê, sintam-se abraçados queridos, queria vocês aqui hoje, pra comer bolo e guaraná...
Simoninha Xavier. 10 anos de Caruaru.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

COMO CALAR?

COMO CALAR?
Que eu saiba tá na bíblia, os escolhidos de Deus eram os que menos mereciam.
Sempre que vejo a Instituição virar as costas para os “defeitos” humanos, me afasto dela e verei muitos se afastarem.
Alguém me responda se é possível controlar os desejos?
Alguém me diga se é possível viver uma vida reta sem curvas perigosas, sem armadilhas?
Desde que fiz parte de uma Instituição dessa que vejo vidas serem arruinadas pelos preceitos Dela.
O ser humano “divino” eleito pelo povo de Deus, se falha, não tem direito a ser ouvido. É execrado e banido como bandido.
Eu mesma já fui vítima dessa hipocrisia, e eu era inocente... Há há há. Mas não calei, me fiz ouvir, gritei e grito quantas vezes forem necessárias...
Ele é o caminho, a verdade e a vida... E na Instituição, o caminho tem sido translúcido, opaco, obscuro. A verdade é dissimulada. A vida, ah a vida é jogada aos bueiros, pelos “homens santos” que se acham no direito de julgar um ou outro por considerar algo falho...
É nessas horas que apelo aos padres jovens que conheço. Ou vocês mudam essa Instituição, ou vocês serão os próximos. (alguns podem deixar o meu facebook após essa declaração).
Uma hora será uma verdade mal interpretada, outra hora será um ato falho ou uma perseguição gratuita.
Não estou defendendo os que erram, mas como são tratados.
O querido Jeremias dizia lá nas suas escrita 1:5 : 5“Antes mesmo de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que viesses ao mundo, Eu te separei e te designei para a missão de profeta para as nações!” 6Contudo, eu redargui: “Ó Eterno Yahweh! Eis que eu não sei me expressar como convém; não passo de uma criança!”…
Será que Ele errou na sua escolha?
Não, tenho fé que não. Os crucificados são eleitos pelos homens.
Desde a semana passada venho refletindo sobre as coisas que acontecem concomitantemente. Suicídios, expulsões, julgamentos, enfim...
PARA ONDE ESSA INSTITUIÇÃO ESTÁ OLHANDO?
ELA NÃO ESTÁ ESCUTANDO NEM OS SEUS, QUANTO MAIS SUAS OVELHAS DESGARRADAS...
E EU TÔ DESGARRADA HÁ TANTO TEMPO...
Sei que Agostinho falou que fora da Igreja não há salvação.
Que se pode ter tudo, menos a salvação.
Por esses dias quis mais ainda me “afastar” e me sentir mais perto de Deus e assim vi e vivi.
Desde sábado me senti muito, mas muito mais perto Dele.
Pronto! Falei!
“Tenho que gritar, tenho que arriscar,
Ai de mim se não o faço!
Como escapar de ti, como calar?
Senhor, cuida dos que falham. Tem misericórdia de todos nós!!!!
Creio que só Jesus é a nossa salvação, o Caminho, a Verdade e a Vida.
Simoninha Xavier

Caruaru, 158 anos já? Mas tem uma ar tão jovem!






O que mais gosto?
A feira, a música, o céu, os pores-do sol, a lua, que aqui é tudo diferente e encantador, e as cores do agreste? Como não amar!
Estou a doze dias de fazer uma década aqui em Caruaru.
Poxa! Dez anos!!!!
Quando cheguei aqui, não tinha na mala o desejo de ficar, até conhecer as pessoas que nem daqui eram, mas que assumiram a cidade como sua, então tratei de traçar um novo plano.
Fiz amigos, fiz trabalhos e hoje construí minha carreira e uma vida com uma qualidade de vida por mim desejada há tempos.
O desenvolvimento vai a passos largos, planejado? Não, mas vamos vivendo.
Seja num verso de um cordel ou na tradição de um ritmo genuíno, seja no restaurante de TIa Guida ou no point da Má fama.
Seja na quentura de rachar o cano durante o dia ou no frio de lascar que faz a noite.
Seja num show do Palco alternativo da Estação ou na escuta dos aboios do vizinho. Caruaru é uma cidade linda e fenomenal.
Cheia de mistérios... Raios, trovões e relâmpagos sem chuvas. Ciclones inesperados, tremores e até um tal de turfa, que nunca tinha ouvido falar, mas aqui tem!!!!
Uma cidade onde a música rima com o teatro e seu povo rima com a dança, respirando cultura.
O Alto do Moura, o Monte Bom Jesus, o bode, a seriguela vendida no flandre, a farinha pozinho no latão, a piaba, a tanajura. Tudo isso ainda permanece por aqui, só pra resistir ao desenvolvimento, só pra fazer gosto de ver na Feira de Caruaru.
As nêgas de barro, os artistas, que a gente esbarra nas esquinas, seja do barro, seja da música. Eita cidade cheia de estrelas viu! Um luxo!
Não sei do amanhã, só sei que até hoje todas as escolhas que fiz e que incluíram Caruaru, tem me feito feliz e agradecida pela acolhida, pela vida que levo e pelo encantamento de sempre poder me descobrir em novos passos e descobrir a cidade em seus mais simples recantos.
Amo viver em Caruaru.
Feliz vida Caruaru! Feliz crescimento! Feliz aniversário!
Caruaru, 158 anos. A cidade que escolhi para viver.
Simoninha Xavier

quarta-feira, 6 de maio de 2015

QUEM ROUBOU O MEU RECIFE?

Como seria se destruíssem a torre Eiffel?
Como seria Veneza e Tailândia sem os seus canais navegadores?
É assim que me sinto. Tem alguém roubando minha cidade.

Tem gente roubando o meu Recife...
Todas as belezas deixadas, mesmo que não sejam originais da nossa gente, são belezas tombadas, se não pelo patrimônio histórico, pelos nossos olhos, corações e memória.
Tenho do Recife as mais belas lembranças de casarios, rios, pontes e as praias. Ahhhh as praias, que hoje morando em Caruaru, é de perto e de longe o que mais tenho saudades.
Outro dia soube que o Colégio que estudei também vai ao chão, dando vez a mais um condomínio de luxo.
Difícil é saber que aquele hospital rosinha da Boa Vista também tá nos planos dos empreiteiros. Ali poderia virar uma galeria, um centro histórico, desde que continuasse todo rosinha com bordas brancas, mas não, vai ser um novo Recife, um Recife que não quero.
Quando um turista vem a Recife, quer saber da sua história... E o que restará pra contar?
Ah, e tem um certo Cais do seu Estelita (era assim que eu o chamava intimamente) que hoje é o que mais perigo passa, pois na calada noite foi decidido que vai ser lufado.
Seus armazéns que por muitos anos se transformaram em casinhas coloridas estão prestes a virarem torres de construtoras dominadoras. Lá só a elite terá direito a brisa quente que o meu Recife tem, por que após esses empreendimentos não irá sobrar arestas para essa brisa passar, nem ao menos pro Coque.

Depois de Seu Estelita, vai ser o Cabanga todo, poderá ser Casa Forte, Afogados, Helio Monteiro! A Conceição, Benedito Araujo! Ou até o Chico City Rose Dawson!
Tenho medo pelas mangueiras de Tejipió, pois da manga rosa ainda quero o gosto e o sumo, além do cheiro que nos estonteiam.
A Caxangá, que era mais em linha reta, tenho certeza que hoje é a mais engarrafada...
Já pensou se cismam que nossos mercados públicos não servem mais? Adeus Macaxeira com carne de sol nas madrugadas após as baladas! Adeus arrumadinho nos almoços de sábado. Adeus sábados encantados no meu Recife.
Meus sobrinhos já não tomam banho de rio, como tomei.
Meu medo é que nem mar eles tenham para admirar.
Não têm quintal pra correr, a não ser o da casa dos meus pais, que resistem bravamente as investidas tentadoras dos poderosos Queiroz e Dubeaux...
Estou longe para ocupar o Estelita, mas peço: alguém me represente! Eu imploro!
Ocupem a cidade!
Ocupem o Recife, não deixem que o vendam!
O Recife tem que continuar a ser nosso. Ele hoje é minha história, minha lembrança, mas precisa ser também das gerações que virão...
Seja no carnaval, seja na Festa da pitomba ou mesmo numa simples visita ao Horto de Dois irmãos, o que o Recife precisa é ser cuidado e não devastado.
Precisamos andar nos livrando apenas dos oitis nas nossas cabeças nas ruas da Boa Vista e das calçadas esburacadas que nos nocauteiam pelas ruas da Unicap... Quem nunca? ....E não das pessoas que serão banidas desse Novo Recife.
Tenho rios de esperança de que os Capibaribe e Beberibe sejam recuperados, ainda dá tempo, basta planejamento e ação
.
Estou em Caruaru, mas sou do Recife, com orgulho e com saudade.

SOU DO RECIFE HOJE COM VONTADE DE CHORAR...


Simoninha Xavier

segunda-feira, 4 de maio de 2015

UM POUSO CHAMADO SAUDADE

Como a imagem acima, é assim que pousa em mim essa empatia.
Fico perplexa com o poder dos esbarrões que damos na vida.
Há seis meses dei um no dono dessa foto.
Meigo, simpático, divertido, bunito (escrito assim de propósito) e inteligente. Uma celebridade e eu uma interesseira, kkkk
Um encontro desses que nos orgulha de estarmos vivos.
As afinidades, os gostos iguais, nisso descobri um parceiro de viagem que quero em todos os embarques agora...
Por esses dias descobrimos o cupuaçu em comum, kkkk...
Já não bastasse nossa Terê, o feijão rico, as comidas de boteco, os doces e a doçura de olhar a vida.
Depois de ver essa imagem, quis te escrever. Desculpa a invasão, nem permissão pedi. 
Foi a saudade que assim como essa da foto, pousou em mim...

Para um certo Sr. Paranhos!

Simoninha Xavier

quinta-feira, 23 de abril de 2015

ENCONTRO E/OU DESENCONTRO

            A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros, já dizia o poetinha Vinícius.
Essa máxima me acompanha sempre.

Esbarro em corpos pela cidade, pelo trabalho, pelos ônibus  e pela vida. Desses encontros, alguns poucos ficam e também alguns poucos se vão...
Há mais ou menos cinco anos, moro no bairro Kennedy e de lá para ir ao trabalho tenho várias opções de ônibus.  Eis que várias dessas vezes de ida a minha jornada, sempre encontrava um rapaz de sorriso lindo, mas um pouco tímido demais para minha tagarelice. Porém como várias vezes sentamos juntos, ele resolveu quebrar o gelo. Depois das apresentações iniciais o papo rolava solto... Crise financeira, calor, educação, trabalho, tudo era mote para conversas deliciosas.  E assim foi por meses... Ano passado, porém me afastei por seis meses de Caruaru e nunca mais havia encontrado ele, até que na volta das férias desse ano, nos encontramos na rua. Ele viajando e eu chegando a Caruaru. Daí ele me deu seu número de Wathsapp...
Falávamos-nos inocentemente nessa ferramenta tão boa de juntar pessoas. Mas eu preferia as conversas das viagens de ônibus, olho a olho, com interrupções e discordâncias, kkk... Nossa! Discordávamos bastante, mas era tão respeitoso o desfile das opiniões, que daria um samba lindo, mas também combinávamos no gosto pelas plantas, pela cor verde, por cinema, por música, Bethânia especificamente e por banho de rio.
O vi na última vez dia 19 de março. Cantamos juntos a música: Tomara que chova, três dias sem parar” pois era dia de São José e torcíamos por um inverno duradouro, por uma safra boa e por uma tarde fria e um filme em nossas casas, que íamos sortear qual seria a primeira: a minha ou a dele.
Depois daí o último contato foi pelo Whatsapp. Ele me informando que estava indo trabalhar à tarde, mas que em abril voltaria a me ver... Meu nome passou a ser ESPERA...
Eis que recebo uma ligação do seu número, mas era sua irmã, me avisando que ele estava na UTI do Hospital Regional, sendo tratado de uma infecção que adquiriu num tratamento de canal. Uma bactéria estava alojada no seu coração, então ele pediu para que me ligasse e que eu fosse visita-lo e fui... Mas chegando lá, não me deixaram entrar, pois não tinha ninguém da família para autorizar.
Vim embora sem vê-lo, aquele sorriso, aquela doçura, aquele doce encontro na minha vida... Como pode?
Exatamente uma semana depois tive que ir a Recife e na volta a mesma ligação, a mesma voz me avisa que ele se foi e que havia sido cremado naquela tarde (falamos sobre isso numa das nossas viagens, queríamos ser cremados).

Ele se foi e nem o vi de novo, só no dia que deveria chover...

Ontem foi sua missa de sétimo dia, tinha obrigação de ir. Conhecer de perto pelo menos sua irmã e os seus.



Querido, tinha falado sobre isso com uns amigos, numa segunda feira antes, a vida é a arte do encontro, mesmo com tantos desencontros...
Não sei quando nos veremos de novo, mas sei que o que tivemos foi de uma amizade, de uma força e de um afeto divino.
Esteja onde estiver que você me ilumine com a luz do seu sorriso de sempre.

Como disse antes, poucos se vão e você ficará.



Dedicado a Heitor

Simoninha Xavier

sábado, 7 de junho de 2014

MÚSICA MERECE RESPEITO

       
É lamentável! Cresci nas rodas de fogueiras, nas cirandas que fazíamos, quando a pilha do rádio acabava e parava de tocar o Velho Lula, Lua Gonzaga, cresci ouvindo João silva, Onildo Almeida, Zé Dantas, Anastácia e tantos outros que faziam poesia e viviam a poesia que era o luar do sertão! 
É inadmissível ver a nova geração que zela por essa cultura, por essa poesia sendo desrespeitada e desmerecida. O que esses novos artistas fazem com as noites boêmias de Caruaru, por quase nada, digo financeiramente, é incrível! Metais, sopros, cordas, choros, lamentos, gritos que não são ouvidos por um governo desgovernado, não são sentidos, por que estes nem na cidade ficam para ver o que ela oferece de tão novo, suado e lindo!A cidade não é vivida por quem a administra, os senhores da "Cultura" acham que a massa é burra! Preferem gastar seus milhares nessa onda de "ÕES" que nem forró canta, ora o que é que eles cantam, que até hoje não sei definir!!!O que sei que eles são ouvidos melhor, por que o som deles é melhor, a produção é melhor, a mídia é maior...Moro na cidade há nove anos e o tal galpão citado aí nessa nota, mesmo "Fétido e escuro" é LOTADO!!!! Você não acha chão pra pisar direito, mesmo com o som com "Microfonia e abafado", você não quer sair do lugar, por que sabe que é música boa, com letra boa e gente da terra ali cantando e encantando, apesar de tudo.
Mas este galpão não passa na mídia, a programação dele é pouco divulgada pela senhora Fundação... Alguém viu? Não achei!!!
Vou sentir muita falta dessas vozes que estão aí na foto com tarja preta na boca, mas coloco essa mesma faixa preta no braço, já que não sei cantar, em sinal de luto pelo festejo tão genuíno, que mexe tanto com nosso imaginário, luto pela cultura da nossa terra.
Luto por não ter vontade de ir ao Paito do forró... Aqui jaz o maior São João do mundo!


Já derrubaram a linda, sagrada e tradicional igrejinha do paito,  “O Paito”, que antes era poético e imprensado, hoje é imprensado por camarotes, bebidas, chocolates, iogurtes, e etc... Até água sanitária invade a tradicional noite dos carneirinhos, para lavar a mente dessa nova geração, que vem se deixando alienar ou não... Agora querer prejudicar os que ainda gostam de música boa???  Ah, comigo não violão!
Ainda bem que tive um avô que teve rádio em frequência AM, ainda bem que meu pai segue essa mania até hoje. Ensinaram-me a mudar o dial, sempre que a música não fosse boa, me ensinaram a audição seletiva de não aprender essas músicas chiclete, que tanto empurram nessa massa omissa.
Vou sentir muita falta dessas vozes que estão aí na foto com tarja preta na boca, mas coloco essa mesma faixa preta no braço, já que não sei cantar, em sinal de luto pelo festejo tão genuíno, que mexe tanto com nosso imaginário, luto pela cultura da nossa terra. Luto por não ter vontade de ir ao Paito do forró... 
Aqui jaz o maior São João do mundo!


Simoninha Xavier