quinta-feira, 1 de junho de 2017

HORA DA VISITA

Todos os dias é assim.
Achava que ela só apareceria no verão ou no calor.
E nesse frio que está hoje eis ela aqui novamente.
Me disseram outro dia que é coisa boa, coisa boa é vê-la alegrando minha sala.
Coisa boa pensar em algo bom.
Ela vem me arrodeia, vai em todos os cantinhos e quando procuro ela já sumiu.
Mas fica um sorriso, fica a paz que a sua beleza traz e fica a vontade de que seja mesmo tudo de bom o que há por vir.
Uma sexta-feira, um friozinho e a despedida do dia é nessa corzinha tão suave.
Que seja suave assim também o fim de semana.

Simoninha Xavier

quarta-feira, 31 de maio de 2017

quinta-feira, 25 de maio de 2017

PENSAMENTO DE QUINTA: Dia de chuva, dia de fé!

Chove, mas chove muito!
Molha a terra, que tem sede!
Molha o gado, que também está com sede.
Enche os grotões e enche os meus olhos, mas de esperança...
Ao pranto se junta e leva tudo que não for bom.
Aos céus me mostra esse cinza que hoje é a cor mais bonita.
Mas não esquece de matar a sede dos meus irmãos, que além de ser de justiça nesse país sem leis, é de paz e alento.
Que essa tempestade que sempre carrego respingue em chuva o dia inteiro. 
Molha chuva, chove chuva...

Simoninha Xavier

domingo, 21 de maio de 2017

SOBRE DECEPÇÃO

Culpa minha, exclusivamente minha.
Pessoas sem palavra se vê nas atitudes.
Palavras bonitas o vento leva.
Ficamos encurralados em sentimentos, expectativas e nos deixamos levar.
Decepção é assim, quem manda?
Acredite no que vê e não no que quer ver.
Acredite nas ações.
O que ganha é a deslealdade, a mentira, a dúvida.
Nossa! Dá uma desesperança.
Esperar o que?
Merecer o que?

Ter direito a que?
Tanta dúvida!

Carência?
Menosprezo por si?
Por quê?
Ah, moça bonita! Levanta desse chão que tu mesma se deixasse derrubar e segue!
Tira essa poeira e segue!
Tira essa venda dos olhos e segue!
Deve ter em algum lugar, nesse vasto universo, um olhar que seja só pra você.
Deve ter alguém que te espera para segurar na tua mão e te acompanhar para construir algo só seu. Sem perdas, onde a única coisa que você vai dividir seja a vida toda dele.

Não estilhaços, não migalhas,
Há de haver um doce olhar somente para você.
Alguém para comungar a vida e trazer a paz que deseja para ser feliz.
Tenho sobrevivido as decepções que construí. Porém a cada volta do baque sinto que vou ficando sem forças. 

Tem se quebrado muita coisa nesses baques. 
Ficar de pé novamente tem sido mais difícil.
Espero que não impossível. 

O coração desconfiado, a intuição afiada, a razão latente.
Eu que sempre segui o coração, sempre caí e levantei em seguida, que sempre tive a fé como companheira e fortaleza.
Venho gritar ao universo que estou me sentindo fraca, cansada. É muita busca e pouco encontro.
Tem alguém aí? Alguém ouvindo?
Levante o dedo!
Mas não venha me falar em amor e não ficar.
Não venha se não quer insistir.
Não venha se for para me decepcionar...

Simoninha Xavier


domingo, 7 de maio de 2017

UM DIA DE DOMINGO

É nas cinzas das horas que o domingo se passa!
Nele cabe tudo que vivi na semana que passou.
Nele cabe toda a expectativa da semana que virá.
Mas transborda por não caber tudo que sou.
Cinza hoje é a cor mais quente.
No frio e em casa o dia é um grande presente.
A chuva lava a alma e leva o que foi vão.
Mas por enquanto vou tentando me aquecer nesse friozinho domingueiro.
Aqui entre cobertas, a descoberta aninha minha esperança no calendário que vira a folha da minha vida.

Simoninha Xavier

sábado, 6 de maio de 2017

ESPERA




Uma palavra me tomou o dia inteiro: espera.
Não temos paciência pela chuva. A queremos agora. O tempo todo.
Nem pela resposta.
Nem pelo fim de semana.
Nem ao menos pelo querer.
Mas uma hora eles vão chegar...
Espera!
Simoninha Xavier

sexta-feira, 5 de maio de 2017

PENSAMENTO DE QUINTA: following zero de novo

Sabe a ansiedade de agradar?
Sabe a nóia de corresponder e vice-versa?
Sabe a espera que não cessa?
Hoje as relações se encontram nos emojis, nos control C + Control V e pronto, a paixão tá dita.
Mas na hora de acabar apenas os parceiros somem.
Apenas se calam, aqueles temerosos riscos duplos do Whatsapp ficam azuis e os grilos cri cri cri...
Na espera que não cessa, pouco importa se você é o que espera, simplesmente já estou em outro perfil, talvez reaproveitando algo que colei e copiei pra você. Se não, buscando outros bonequinhos para expressar meu vão sentimento, meu urgente desejo de pegar mais um/a.
Quando vou aos bares as queixas são iguais: procuro alguém e não encontro. Ninguém quer nada hoje. Você viu que ela já está com outro? Enfim, ninguém quer dar uma segunda chance, ninguém quer insistir, nem ao menos tentar, nem ao menos conversar, muito menos se esclarecer. Na primeira dificuldade, o salto é para o próximo rolo, caso, lance... sei lá o que...
Juram amor, mas não ficam. Pura sacanagem.
Nas idas e vindas do amor, muito desencontro. Muita incompreensão, muita expectativa frustrada.
O que esperar do outro hoje em dia? O que esperar de mim?
O termo não precisamos de ninguém me soa como verborragia, pois já dizia o poeta: ninguém é feliz sozinho...
As amizades, os amores, estão indo ralo abaixo, nessa fluidez da vida líquida moderna.
Ninguém se projeta mais no outro, quando se dobra a esquina, pronto, perdeu de vista, quem sabe na próxima esquina tem outra pessoa, e na outra e na outra...
Somos muita expectativa e pouquíssimas esperanças.
Somos cheios de vazios e de silêncios infernais.
Saindo desses pensamentos no banho ligo o rádio e o dial não está na minha rádio predileta. Tive a faxineira por aqui ontem...
E vejo vir vindo nas ondas o hit dos idos anos 90: Então me ajude a segurar
Essa barra que é gostar de você, êh... Didididiê...📻
Raça negra e sua verdade jogada na minha cara.
Então corri e vim aqui confessar que toda essa história é porque tive following zero, isso sim.
Didididiê...

Simoninha Xavier






segunda-feira, 1 de maio de 2017

APENAS UM COMETA

Aí você tá em casa de bobeira e chega seus pais para alegrar e encher de amor a tarde.
Um café fresco, um pãozinho com manteiga e leite quentinho para misturar com os papos e risadas.
No meio do furdunço um telefonema, era uma tia, depois outro, depois outro.
Que movimento no meu feriado...
Bem na saída outra visita...
E haja movimento.
Era um cometa, passou no meu céu, eu vi a estrela de novo, em quase ida tardinha.
A mesa tava posta, mas os pratos usados, o café já era morno e o leite era frio. Só o pão era crocante.
À luz da passagem rápida dele, não dava pra requentar tudo.
Porém era o cometa e tudo se aqueceu por aqui, só que não foi o café, nem o leite, foi apenas o desejo e a surpresa do doce reencontro e da visão de tanta luz.
Reza a lenda que os cometas demoram milhares de anos para passar. Aqui já vi algumas vezes, e ainda sou uma Loba...

Simoninha Xavier

domingo, 16 de abril de 2017

SOBRE PÁSCOA

Cheguei no TIP hoje mais cedo, pois sendo feriadão, já previa a lotação de gente no terminal. Só consegui embarcar duas horas depois. 
Andei, vi algumas lojas e demorei pra achar um  lugar para esperar os 120 minutos que me separavam do ônibus que me traria ao meu lar doce lar, depois de quatro dias longe. 
Liguei o rádio na nova Brasil, coloquei o fone de ouvido e peguei o terço para rezar e agradecer a meu Deus pelas dificuldades e trocas que vivi na  passagem pascal.
Eis que me chega voando esse papel jogado por um rapaz, que acabara de receber de algum praticante dominical de sua religião.
Caiu bem em cima da minha mala, onde eu repousava minhas pernas. 
Eis o que me chega: a certeza de que Ele sempre está comigo, seja onde eu for, seja como eu estiver e seja de que forma for, Ele sempre se mostra nas pequenas e grandiosas coisas, que faz novas sempre. 
Feliz Páscoa!

Simoninha Xavier

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O CÉU QUE ME PROTEGE

Eu sempre gostei de desenhar céus.
Gostava de fazer o desenho de nuvens brancas se tinha sol, cinzas se tinha chuva, luas se era noite. 
Mas nunca vou conseguir pintar o céu da cidade que escolhi para viver. 
Os dias aqui há doze anos se pintam de um céu inigualável.
Seja da janela do trabalho, seja em uma tarde de bobeira em casa, ele se pinta único, majestoso, colorido, de tons inimagináveis.
Aqui em Caruaru Deus desenha o céu que sempre quis fazer nos meus rabiscos.
Ele me dá em tempo real:
Lilases
Laranjas
Amarelos
Azuis
Prateados
Dourados
Coloridos crepúsculos
Hoje desenho em letras o que vejo daqui.
Gratidão!


Simoninha Xavier

OUTONO


Como se muda de pena, as folhas que caem a partir de hoje me desnudam.
Sinto mudanças no porvir.
Mas não posso falar do futuro como se conhecesse ele.
Não sabemos nada.
O verão que deixei partir, mandou de volta a certeza de que as vezes encontramos cores na queda. 
Que o tempo passe, que ele cure e que o que tiver de ser vigore.
Há um outono aqui. 
Há tempos que vai e volta. 
É mudança que teima.
É incerteza que vinga.

Simoninha Xavier




ESTAÇÃO QUE CAI

Tem um outono em mim.
Caindo as folhas que me faziam verdejar.
Caindo as flores que eram pra eu ganhar.
Caindo as cores que me deixou invisível, justo num sábado.
Caindo a estrela antes do meu pedido.
Caindo as fichas que me fazem pensar no tempo que tenho perdido.

Simoninha Xavier

Ser tão...

A noite vai me mostrar a imensidão.
Nela ser tão encantada!
Nela ser tão feliz!
Nela ser não solidão!
Ser somente o sertão.

Simoninha Xavier